sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Apreciação crítica à apresentação oral realizada na Escola Barbosa du Bocage

No dia 12 de novembro de 2015, deslocámo-nos até à Escola Barbosa du Bocage no âmbito da disciplina de Literatura Portuguesa, numa apresentação sobre o grandíssimo Bocage.

Sentímo-nos nervosos logo quando entrámos na escola, pois sabíamos que teríamos uma grande responsabilidade, que era a de mostrar o nosso conhecimento sobre o poeta e incentivar os alunos a integrarem a disciplina de Literatura.

No que toca à apresentação em si, houve algumas falhas, mas no geral correu bem. Tivemos um grande espírito de equipa e uma boa organização em termos cronológicos.

Na nossa opinião, a segunda turma mostrou mais interesse e melhor comportamento do que a primeira.

Achamos que toda a turma gostou desta experiência, tendo que desenvolver as nossas capacidades nalguns aspetos.



Ricardo Ghiani, Altinino Gonçalves e Fabricio Canjani
Um Auto de Gil Vicente

Eu, El-Rei de Portugal, D. Manuel, encontro-me preocupado com minha filha, Beatriz.
Membros da corte de Sabóia estão cá para levar minha filha, para que se case com o duque de Sabóia. Estes elementos, Saint-Germain e Chatel, fazem de tudo para recolher informações sobre minha filha.

Mas, Beatriz não quer esconder a sua paixão pelo poeta da nossa corte, Bernardim Ribeiro, mesmo sendo quase impossível envolverem-se devido ao acordo já feito com a corte de Sabóia. Tento disfarçar para que os representantes não se apercebam desta situação.

Paula, verdadeira amiga e confidente de minha filha, Pêro Sáfio e Gil Vicente estão a favor do amor de minha querida filha por Bernardim. Mas, para o bem do país, não poderei permitir que se juntem: minha filha terá de se casar com o duque de Sabóia, apesar de eu não a querer ver sofrer. Para defender a pátria terá de ser desta forma…
Espero poder despedir-me dela bem e sem mágoa.


Altinino Tomás Gonçalves, nº3, 11º I

segunda-feira, 8 de junho de 2015

O Meu Irmão


O livro que vos venho falar hoje é "O Meu Irmão". Este livro foi lançado em 2014, e foi o vencedor do prémio Leya nesse mesmo ano.

O autor desta obra é Afonso Reis Cabral, nascido em 1990, em Lisboa, mas cresceu na cidade do Porto. É o quinto de seis irmãos, e trineto de Eça de Queirós. O jovem escritor é licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos.

Este livro envolve-se à volta de uma relação entre dois irmãos, com apenas um ano de diferença, que têm de aprender a viver juntos após a morte dos seus pais. Após este acontecimento, é preciso saber quem fica com o mais novo, Miguel, que tem Síndrome de Down. É então que o irmão mais velho, o narrador, (este nunca se identifica ao longo da história) professor universitário e acabado de se divorciar, supreende a família ao tomar a responsabilidade de ficar com o seu irmão mais novo de 40 anos. Esta aproximação leva-os a recordar memórias de infância, do afeto e cumplicidade que ambos tiveram um pelo outro anteriormente. Aos olhos do narrador, esta nova ligação entre os dois irmãos, poderá redimir o irmão mais velho dos vários anos de afastamento. Porém, a chegada de Miguel acaba por trazer alguns problemas inesperados... Um deles é Luciana, uma rapariga por quem Miguel se sente apaixonado já há algum tempo, mas nunca será correspondido devido à sua deficiência mental. Na parte final do livro, há um acontecimento que vai pôr à prova o relacionamento destes dois irmãos.

Afonso Reis Cabral apresenta um tipo de escrita um pouco invulgar, usando apartes para manifestar os seus sentimentos e opiniões acerca de alguns acontecimentos que vão ocorrendo ao longo do livro. Apesar do seu vocabulário ser muito abrangente, consegue ser muito simples e direto. O livro tem episódios e acontecimentos bastante entusiasmantes mas, a meu ver, a meio do livro senti uma quebra desse ritmo e fiz uma paragem de algumas semanas na leitura do mesmo. Contudo, voltei a lê-lo e, fiquei supreendido com a parte final da história. Depois de o ter acabado, senti que a tal "quebra" de ritmo foi devida à constante revelação de vários episódios da infância dos dois irmãos descritos pelo narrador.

Este livro fez-me refletir sobre as dificuldades que as pessoas, como o Miguel, passam devido ao Síndrome de Down, que afeta tantas pessoas no nosso mundo. Desta forma, recomendaria a todos lerem este livro agora nas férias de verão.

Aproveito também para me despedir do ano letivo de 2014/2015 aqui no meu blogue, onde vou continuar a partilhar as minhas leituras e trabalhos relativamente à disciplina de Literatura Portuguesa, no 11º ano, correspondente ao ano letivo de 2015/2016.

Até para o ano!

Altinino Tomás Gonçalves

domingo, 15 de março de 2015

O Teu Rosto Será O Último


Livro


"O Teu Rosto Será O Último" foi lançado em março de 2012 (1ª edição), e a 9ª edição em dezembro de 2012. Pertence à editora "Leya". O livro é dividido em sete partes.

Autor


Este livro é da autoria de João Ricardo Pedro, que nasceu na Amadora em 1973.
Este licenciou-se em Engenharia Eletrónica e trabalhou neste mesmo ramo.
João Ricardo Pedro sempre foi um grande fã de literatura e, em 2009, viu-se no desemprego, e decidiu dedicar-se ao seu sonho literário e escrever o este seu primeiro livro.

História


Este livro fala sobre uma família, mais concretamente três gerações diferentes: o avô, Dr. Augusto Mendes; o pai, António; e o filho, Duarte.
Esta história é composta por vários episódios que têm como ponto de partida a revolução de 25 de abril de 1974, que demonstram como esta família viveu os longos anos de ditadura, a repressão politica e a guerra colonial.
A história começa com um homem que se prepara para sair de casa de madrugada, armado. Este episódio só será explicado no fim do livro...
Entretanto, o que parece ser o "centro da história" é quando este mesmo homem foi tratado pelo Dr. Augusto Mendes, quarenta anos antes, pois estava muito ferido.
Este homem que só será identificado mais tarde como Celestino, acaba por ser a personagem menos assídua (aparecendo apenas no inicio e no fim do livro), mas das mais relevantes.
Dr. Augusto Mendes era médico e teve nos bastidores da revolução do 25 de abril. Este tinha uma amigo, Policarpo, que lhe vendeu uma casa e saiu de Portugal. De seis em seis meses, Policarpo enviava cartas ao doutor, falando-lhe das suas aventuras e acontecimentos importantes nos sítios onde passava. Estas cartas vão-se tornar muito importantes no desenrolar da história. 
António participou na guerra colonial, fazendo duas comissões em África, e conheceu a sua madrinha de guerra, Paula (mãe de Duarte), numa livraria, que mais tarde acabam por se casar.
Duarte é a personagem mais importante da história, na minha opinião. A sua infância desenrola-se já após do 25 de abril. Cresceu no meio de memórias e acontecimentos, maior parte deles muito traumáticos. Este tinha um grande talento para a música, especialmente para tocar piano.

Apesar de ser um livro bastante descritivo, o que acaba por se tornar, por vezes, um pouco cansativo, gostei deste livro. Custou-me um pouco a "agarrar-me" à história, mas o autor começa a dar muito suspense à história o que torna o livro muito mais interessante. A história sofre muitos recuos no tempo, só percebendo no fim o que realmente se passa em certos e determinados acontecimentos. A escrita é muito simples e, como já referido, bastante descritiva.
Em suma, gostei muito do livro e recomendaria a qualquer pessoa.

Altinino Tomás Gonçalves, nº 3, 10º I


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Letras do Fado Vulgar



Livro


"Letras do Fado Vulgar" foi escrito por Vasco Graça Moura, lançado em 1997 e publicado pela editora "Quetzal Editores".

Autor


Vasco Graça Moura nasceu no dia 3 de janeiro de 1942, na cidade do Porto.
Licenciado em Direito, e após o 25 de abril foi jornalista e politico, chegando a trabalhar no governo de Portugal.
Na década de 80, começou a sua carreira literária, pois desde a sua infância, esteve ligado à literatura, tornando-se num grande nome da segunda metade do século XX da literatura portuguesa.
Foi conhecido pelos seus livros de poesia, romances e traduções. Vasco Graça Moura chegou a traduzir livros de Shakespeare e Dante.
Recebeu muitos prémios, alguns de grande prestigio, como o prémio Pessoa e prémios relacionados, principalmente, com as suas traduções. Foi também condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
O escritor português morreu no dia 27 de abril de 2014, vitima de cancro.

Razão pela qual o livro foi escrito


O ano de 1997 foi um ano de muito trabalho para Vasco Graça Moura, apetecendo-lhe variar no tipo de tema literário e desta vez falar sobre o "fado de Lisboa".
Ele quis tentar transmitir a grande e "fantástica" ligação que se conseguia criar entre a poesia e a música portuguesa.
No entanto, sabia muito pouco sobre fado e sentiu algumas dificuldades pois não havia informação precisa e definida sobre de quem eram os autores de certos poemas relacionados com o fado. Desta forma, teve que passar por algumas experiências ligadas ao mesmo.
Para ter acesso à informação necessária teve que falar com pessoas que estavam "dentro" do fado, como Carlos do Carmo, Maria Ana Bobone... o que acabou por facilitar o seu trabalho, mas ainda com algumas dúvidas de como poderia caracterizar os seus textos ou poemas em relação ao fado.
Assim, Graça Moura começou por "usar" e frequentar os sítios onde o fado era comum e, obviamente, que um dos locais onde o fado era comum era Lisboa.
Perante tudo isto, o poeta viu-se com um grande desafio à frente pois achava que o fado, por vezes, era muito vulgar e simples demais, acabando por basear-se muito nos poemas de Amália Rodrigues pois achava-os bastante inovadores.
A sua pesquisa acabou por estar já quase concluída quando decidiu homenagear vários poetas de Lisboa e que deram muito ao fado.

Poetas de Lisboa


O poema que mais gostei deste livro foi " Poetas de Lisboa", que como Graça Moura tinha decidido, este poema fala sobre os poetas mais relevantes do fado, mais concretamente de Lisboa: 

"É bom lembrar mais vozes pois Lisboa
cidade com poético fadário
cabe toda num verso do Cesário
e alguma em ironias do Pessoa

Para cada gaivota há um do O'Neill
para cada paixão um do David
e há Pedro Homem de Mello que divide
entre Alfama e Cabanas seu perfil

E há também o Ary e muitos mais,
entre eles o Camões e o Tolentino,
ou tomando por fado o seu destino
ou dando de seu riso alguns sinais

Muito do que escreveram e se canta
na música de fado que já tinha
o próprio som do verso vem asinha
assim do coração para a garganta

Que bom seria tê-los a uma mesa
de café comparando as emoções
e a descobrirem novas relações
entre o seu fado e a língua portuguesa"



Gostei da caracterização que Graça Moura fez, comparando as características da cidade de Lisboa com as dos poetas, referidos no poema.

Altinino Tomás Gonçalves, 10º I, nº 3