quarta-feira, 16 de março de 2016

Ó Virgens que passais

Ó virgens que passais, ao Sol-poente,
Pelas estradas ermas, a cantar!
Eu quero ouvir uma canção ardente
Que me transporte ao meu perdido Lar...

Cantai-me, nessa voz omnipotente,
O Sol que tomba, aureolando o Mar,
A fartura da seara reluzente,
O vinho, Graça, a formosura, o luar!

Cantai! cantai as límpidas cantigas!
Das ruinas do meu lar desaterrai
Todas aquelas ilusões antigas

Que eu vi morrer num sonho, como um ai...
Ó suaves e frescas raparigas;
Adormecei-me nessa voz... Cantai!

O poema “Ó Virgens que passais” é da autoria de António Nobre.
Este poema é um soneto (contém duas quadras e dois tercetos), a medida do verso é decassilábica (dez sílabas métricas), o esquema rimático é abab/abab/cdc/dcd. O tipo de rima em a e b é cruzada e interpolada em c e d.
Este poema trata de uma lembrança, do sujeito poético, da sua vivência nortenha onde era um costume as moças virem a cantar no regresso das tarefas hortícolas.
Baseando-nos nas linhas temáticas de António Nobre, regista-se neste soneto a evocação pela memória: “Que me transporte ao meu perdido Lar”; a oposição passado (infância feliz) /presente (vida de dor e de desencanto): “Todas aquelas ilusões antigas//Que eu vi morrer num sonho”); e o interesse pelo provinciano, pitoresco e popular, tendo em conta que este poema trata de uma lembrança de um costume: “Ó Virgens que passais, ao Sol-poente,/Pelas estradas ermas, a cantar!”
Em termos de recursos estilísticos, são usados a apóstrofe: “Ó Virgens que passais”, a enumeração: “O vinho, Graça, a formosura, o luar!”.

Altinino Tomás Gonçalves


1 comentário:

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