quarta-feira, 16 de março de 2016

Almada Negreiros

 José Sobral de Almada Negreiros nasceu numa terra designada Trindade (São Tomé e Príncipe) em 1893 e acabou por falecer em 1970, em Lisboa.
  Mais conhecido por Almada Negreiros, foi um artista multidisciplinar português, que se dedicou fundamentalmente às artes plásticas e essencialmente à escrita (romance, poesia, ensaio, dramaturgia etc..), ocupando uma posição central na primeira geração de modernistas portugueses.
 
Almada Negreiros é uma figura ímpar no panorama artístico português do século XX. O mesmo não frequentou qualquer escola de ensino artístico e o seu percurso levou-o a dedicar-se desde muito jovem ao desenho de humor. Mas a notoriedade que adquiriu no início de carreira prende-se, acima de tudo, com a escrita interventiva ou literária. Almada Negreiros teve um papel particularmente ativo na primeira vanguarda modernista, com importante contribuição para a dinâmica do grupo ligado à
Revista Orpheu, sendo a sua ação determinante para que essa publicação não se restringisse à área das letras.
 Almada Negreiros é uma figura ímpar no panorama artístico português do século XX. O mesmo não frequentou qualquer escola de ensino artístico e o seu percurso levou-o a dedicar-se desde muito jovem ao desenho de humor. Mas a notoriedade que adquiriu no início de carreira prende-se, acima de tudo, com a escrita interventiva ou literária. Almada Negreiros teve um papel particularmente ativo na primeira vanguarda modernista, com importante contribuição para a dinâmica do grupo ligado à Revista Orpheu, sendo a sua ação determinante para que essa publicação não se restringisse à área das letras.
 Almada Negreiros assumiu um papel central na dinâmica do futurismo em Portugal mas também, posicionou-se de maneira excecional em termos de carreira artística. Esteve em Paris, como quase todos os candidatos a artistas faziam, mas fê-lo atrasado dos companheiros de geração e por um período curto, sem verdadeiramente se harmonizar com o meio artístico parisiense. Com a sua admiração por Picasso, a partir da década de 1920, Almada aproxima-se do neoclassicismo. Utiliza frequentemente deformações e deslocações anatómicas (evocativas da vertente surrealista de Picasso).
 Almada Negreiros ocupou uma posição central na primeira geração de modernistas portugueses, sendo uma figura ímpar no panorama artístico português do século XX.
 Almada reage ao acolhimento negativo à publicação do segundo número da revista Orpheu, e utiliza o conhecido médico e escritor Júlio Dantas como símbolo das posições mais retrógradas. O pretexto imediato é a peça de teatro Soror Mariana Alcoforado deste autor, ao qual responde com o Manifesto Anti-Dantas. Em 1917, e publica a novela K4 O Quadrado Azul. Ainda nesse mesmo ano, colabora no único número de revista Portugal Futurista.
 A intervenção pública de Almada Negreiros e a sua obra não marcaram o primeiro quartel do século XX. Ao contrário de companheiros próximos como Amadeo de Souza-Cardozo e Santa Maria, ambos mortos em 1918, a sua ação prolongou-se ao longo de várias décadas, sobrepondo-se à segunda e terceira geração de modernistas.
 Almada acompanha a renovação do gosto que ocorre nas artes gráficas. É neste "ambiente de modernidade comedida" que irão surgir encomendas para o café A Brasileira e o Bristol Club. Autorretrato num grupo, em 1925, é uma das duas pinturas de Almada para A Brasileira. Este retrato coletivo marca a época dos cenáculos intelectuais, tal como aparecem no romance Nome de Guerra, que Almada começou a escrever nesse mesmo ano.
 Outras obras que merecem também destaque é o Retrato de Fernando Pessoa, 1954 (de que realizou uma 2.ª versão, simétrica, em 1964).
Em 1957 realiza um grupo de abstrações geométricas, a preto e branco, que expõe, nesse mesmo ano, na I Exposição Gulbenkian e que abrem caminho para a obra mais importante da sua última fase, o painel em pedra gravada intitulado Começar, 1968-69, para o átrio do edifício-sede da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa.

Altinino Tomás Gonçalves
 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Apreciação crítica à apresentação oral realizada na Escola Barbosa du Bocage

No dia 12 de novembro de 2015, deslocámo-nos até à Escola Barbosa du Bocage no âmbito da disciplina de Literatura Portuguesa, numa apresentação sobre o grandíssimo Bocage.

Sentímo-nos nervosos logo quando entrámos na escola, pois sabíamos que teríamos uma grande responsabilidade, que era a de mostrar o nosso conhecimento sobre o poeta e incentivar os alunos a integrarem a disciplina de Literatura.

No que toca à apresentação em si, houve algumas falhas, mas no geral correu bem. Tivemos um grande espírito de equipa e uma boa organização em termos cronológicos.

Na nossa opinião, a segunda turma mostrou mais interesse e melhor comportamento do que a primeira.

Achamos que toda a turma gostou desta experiência, tendo que desenvolver as nossas capacidades nalguns aspetos.



Ricardo Ghiani, Altinino Gonçalves e Fabricio Canjani
Um Auto de Gil Vicente

Eu, El-Rei de Portugal, D. Manuel, encontro-me preocupado com minha filha, Beatriz.
Membros da corte de Sabóia estão cá para levar minha filha, para que se case com o duque de Sabóia. Estes elementos, Saint-Germain e Chatel, fazem de tudo para recolher informações sobre minha filha.

Mas, Beatriz não quer esconder a sua paixão pelo poeta da nossa corte, Bernardim Ribeiro, mesmo sendo quase impossível envolverem-se devido ao acordo já feito com a corte de Sabóia. Tento disfarçar para que os representantes não se apercebam desta situação.

Paula, verdadeira amiga e confidente de minha filha, Pêro Sáfio e Gil Vicente estão a favor do amor de minha querida filha por Bernardim. Mas, para o bem do país, não poderei permitir que se juntem: minha filha terá de se casar com o duque de Sabóia, apesar de eu não a querer ver sofrer. Para defender a pátria terá de ser desta forma…
Espero poder despedir-me dela bem e sem mágoa.


Altinino Tomás Gonçalves, nº3, 11º I

segunda-feira, 8 de junho de 2015

O Meu Irmão


O livro que vos venho falar hoje é "O Meu Irmão". Este livro foi lançado em 2014, e foi o vencedor do prémio Leya nesse mesmo ano.

O autor desta obra é Afonso Reis Cabral, nascido em 1990, em Lisboa, mas cresceu na cidade do Porto. É o quinto de seis irmãos, e trineto de Eça de Queirós. O jovem escritor é licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos.

Este livro envolve-se à volta de uma relação entre dois irmãos, com apenas um ano de diferença, que têm de aprender a viver juntos após a morte dos seus pais. Após este acontecimento, é preciso saber quem fica com o mais novo, Miguel, que tem Síndrome de Down. É então que o irmão mais velho, o narrador, (este nunca se identifica ao longo da história) professor universitário e acabado de se divorciar, supreende a família ao tomar a responsabilidade de ficar com o seu irmão mais novo de 40 anos. Esta aproximação leva-os a recordar memórias de infância, do afeto e cumplicidade que ambos tiveram um pelo outro anteriormente. Aos olhos do narrador, esta nova ligação entre os dois irmãos, poderá redimir o irmão mais velho dos vários anos de afastamento. Porém, a chegada de Miguel acaba por trazer alguns problemas inesperados... Um deles é Luciana, uma rapariga por quem Miguel se sente apaixonado já há algum tempo, mas nunca será correspondido devido à sua deficiência mental. Na parte final do livro, há um acontecimento que vai pôr à prova o relacionamento destes dois irmãos.

Afonso Reis Cabral apresenta um tipo de escrita um pouco invulgar, usando apartes para manifestar os seus sentimentos e opiniões acerca de alguns acontecimentos que vão ocorrendo ao longo do livro. Apesar do seu vocabulário ser muito abrangente, consegue ser muito simples e direto. O livro tem episódios e acontecimentos bastante entusiasmantes mas, a meu ver, a meio do livro senti uma quebra desse ritmo e fiz uma paragem de algumas semanas na leitura do mesmo. Contudo, voltei a lê-lo e, fiquei supreendido com a parte final da história. Depois de o ter acabado, senti que a tal "quebra" de ritmo foi devida à constante revelação de vários episódios da infância dos dois irmãos descritos pelo narrador.

Este livro fez-me refletir sobre as dificuldades que as pessoas, como o Miguel, passam devido ao Síndrome de Down, que afeta tantas pessoas no nosso mundo. Desta forma, recomendaria a todos lerem este livro agora nas férias de verão.

Aproveito também para me despedir do ano letivo de 2014/2015 aqui no meu blogue, onde vou continuar a partilhar as minhas leituras e trabalhos relativamente à disciplina de Literatura Portuguesa, no 11º ano, correspondente ao ano letivo de 2015/2016.

Até para o ano!

Altinino Tomás Gonçalves

domingo, 15 de março de 2015

O Teu Rosto Será O Último


Livro


"O Teu Rosto Será O Último" foi lançado em março de 2012 (1ª edição), e a 9ª edição em dezembro de 2012. Pertence à editora "Leya". O livro é dividido em sete partes.

Autor


Este livro é da autoria de João Ricardo Pedro, que nasceu na Amadora em 1973.
Este licenciou-se em Engenharia Eletrónica e trabalhou neste mesmo ramo.
João Ricardo Pedro sempre foi um grande fã de literatura e, em 2009, viu-se no desemprego, e decidiu dedicar-se ao seu sonho literário e escrever o este seu primeiro livro.

História


Este livro fala sobre uma família, mais concretamente três gerações diferentes: o avô, Dr. Augusto Mendes; o pai, António; e o filho, Duarte.
Esta história é composta por vários episódios que têm como ponto de partida a revolução de 25 de abril de 1974, que demonstram como esta família viveu os longos anos de ditadura, a repressão politica e a guerra colonial.
A história começa com um homem que se prepara para sair de casa de madrugada, armado. Este episódio só será explicado no fim do livro...
Entretanto, o que parece ser o "centro da história" é quando este mesmo homem foi tratado pelo Dr. Augusto Mendes, quarenta anos antes, pois estava muito ferido.
Este homem que só será identificado mais tarde como Celestino, acaba por ser a personagem menos assídua (aparecendo apenas no inicio e no fim do livro), mas das mais relevantes.
Dr. Augusto Mendes era médico e teve nos bastidores da revolução do 25 de abril. Este tinha uma amigo, Policarpo, que lhe vendeu uma casa e saiu de Portugal. De seis em seis meses, Policarpo enviava cartas ao doutor, falando-lhe das suas aventuras e acontecimentos importantes nos sítios onde passava. Estas cartas vão-se tornar muito importantes no desenrolar da história. 
António participou na guerra colonial, fazendo duas comissões em África, e conheceu a sua madrinha de guerra, Paula (mãe de Duarte), numa livraria, que mais tarde acabam por se casar.
Duarte é a personagem mais importante da história, na minha opinião. A sua infância desenrola-se já após do 25 de abril. Cresceu no meio de memórias e acontecimentos, maior parte deles muito traumáticos. Este tinha um grande talento para a música, especialmente para tocar piano.

Apesar de ser um livro bastante descritivo, o que acaba por se tornar, por vezes, um pouco cansativo, gostei deste livro. Custou-me um pouco a "agarrar-me" à história, mas o autor começa a dar muito suspense à história o que torna o livro muito mais interessante. A história sofre muitos recuos no tempo, só percebendo no fim o que realmente se passa em certos e determinados acontecimentos. A escrita é muito simples e, como já referido, bastante descritiva.
Em suma, gostei muito do livro e recomendaria a qualquer pessoa.

Altinino Tomás Gonçalves, nº 3, 10º I


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Letras do Fado Vulgar



Livro


"Letras do Fado Vulgar" foi escrito por Vasco Graça Moura, lançado em 1997 e publicado pela editora "Quetzal Editores".

Autor


Vasco Graça Moura nasceu no dia 3 de janeiro de 1942, na cidade do Porto.
Licenciado em Direito, e após o 25 de abril foi jornalista e politico, chegando a trabalhar no governo de Portugal.
Na década de 80, começou a sua carreira literária, pois desde a sua infância, esteve ligado à literatura, tornando-se num grande nome da segunda metade do século XX da literatura portuguesa.
Foi conhecido pelos seus livros de poesia, romances e traduções. Vasco Graça Moura chegou a traduzir livros de Shakespeare e Dante.
Recebeu muitos prémios, alguns de grande prestigio, como o prémio Pessoa e prémios relacionados, principalmente, com as suas traduções. Foi também condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
O escritor português morreu no dia 27 de abril de 2014, vitima de cancro.

Razão pela qual o livro foi escrito


O ano de 1997 foi um ano de muito trabalho para Vasco Graça Moura, apetecendo-lhe variar no tipo de tema literário e desta vez falar sobre o "fado de Lisboa".
Ele quis tentar transmitir a grande e "fantástica" ligação que se conseguia criar entre a poesia e a música portuguesa.
No entanto, sabia muito pouco sobre fado e sentiu algumas dificuldades pois não havia informação precisa e definida sobre de quem eram os autores de certos poemas relacionados com o fado. Desta forma, teve que passar por algumas experiências ligadas ao mesmo.
Para ter acesso à informação necessária teve que falar com pessoas que estavam "dentro" do fado, como Carlos do Carmo, Maria Ana Bobone... o que acabou por facilitar o seu trabalho, mas ainda com algumas dúvidas de como poderia caracterizar os seus textos ou poemas em relação ao fado.
Assim, Graça Moura começou por "usar" e frequentar os sítios onde o fado era comum e, obviamente, que um dos locais onde o fado era comum era Lisboa.
Perante tudo isto, o poeta viu-se com um grande desafio à frente pois achava que o fado, por vezes, era muito vulgar e simples demais, acabando por basear-se muito nos poemas de Amália Rodrigues pois achava-os bastante inovadores.
A sua pesquisa acabou por estar já quase concluída quando decidiu homenagear vários poetas de Lisboa e que deram muito ao fado.

Poetas de Lisboa


O poema que mais gostei deste livro foi " Poetas de Lisboa", que como Graça Moura tinha decidido, este poema fala sobre os poetas mais relevantes do fado, mais concretamente de Lisboa: 

"É bom lembrar mais vozes pois Lisboa
cidade com poético fadário
cabe toda num verso do Cesário
e alguma em ironias do Pessoa

Para cada gaivota há um do O'Neill
para cada paixão um do David
e há Pedro Homem de Mello que divide
entre Alfama e Cabanas seu perfil

E há também o Ary e muitos mais,
entre eles o Camões e o Tolentino,
ou tomando por fado o seu destino
ou dando de seu riso alguns sinais

Muito do que escreveram e se canta
na música de fado que já tinha
o próprio som do verso vem asinha
assim do coração para a garganta

Que bom seria tê-los a uma mesa
de café comparando as emoções
e a descobrirem novas relações
entre o seu fado e a língua portuguesa"



Gostei da caracterização que Graça Moura fez, comparando as características da cidade de Lisboa com as dos poetas, referidos no poema.

Altinino Tomás Gonçalves, 10º I, nº 3

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Sexto Filho


O "Sexto Filho" é um dos vários contos de Vergilio Ferreira. Este conto fala sobre Rolhas, que recebe a noticia da sua mulher que vai ter o seu sexto filho. Este depois de ter tido os outros cinco filhos sentiu-se um pouco envergonhado perante as pessoas mais próximas pois achava que já tinha tido muitos filhos em um curto espaço de tempo.
A família de Rolhas era pobre e vivia no campo pois apenas se sustentavam com o pouco dinheiro que o Rolhas levava para casa através do negócio que ele tinha no campo.
Entretanto, o sexto filho nasce e acontece uma grande desgraça: há um grande temporal na terra de Rolhas que destrói o seu terreno e fica sem o seu negócio.
Passado uns dias acontece mais uma desgraça, o sexto filho de Rolhas parte a perna e este tem de ir ao médico para ser operado; no entanto, Rolhas não quer que ele seja operado e convence o médico que ele próprio trata do assunto.
Como tinha perdido o seu terreno, Rolhas decide lamentar-se às pessoas da sua aldeia dizendo que precisa de dinheiro para curar o seu filho, mas ninguém lhe deu atenção. Rolhas então resolve viajar com o seu filho muito coxo e de muletas e em cada terra em que passava pedia dinheiro e comida para ajudar o filho.
Esta situação durou durante anos e há um dia que eles voltam à aldeia e o sexto filho foge de casa, voltando alguns anos depois muito bem vestido e com muito dinheiro. Rolhas tentou que o filho ficasse pedindo-lhe e gabando-se do seu filho às outras pessoas da aldeia. O rapaz decide abandonar de novo a aldeia; mas passado uns tempos ele volta à aldeia, mas desta vez muito pobre e ele próprio decide viajar pedindo dinheiro, como tinha feito com o seu pai. Mas este acaba por encontrar o médico que o socorreu quando partiu a perna e o rapaz acusa-o de não o ter operado e que ficou coxo por causa disso; mas o médico diz-lhe que havia alguém que queria que o rapaz ficasse aleijado...

Na minha opinião, os contos de Vergilio Ferreira são muito interessantes e este foi o que me chamou mais à atenção pois retrata muito bem as dificuldades que as pessoas que viviam no campo tinham. Em relação à escrita do autor, por vezes pode não ser muito clara mas, no meu caso, voltei a ler este conto uma segunda vez e consegui perceber tudo. Aconselho a todos a lerem os contos de Vergilio Ferreira.

Altinino Tomás Gonçalves, nº3, 10º I